quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Echinodermata

Filo Echinodermata (Equinodermos)
O Filo Echinodermata compreende todos os animais marinhos invertebrados que são cobertos por espinhos, ou por um endoesqueleto calcário. Alguns exemplos são a estrela-do-mar, ouriço-do-mar, pepino-do-mar, etc. Os animais deste filo são muito simples, não apresentam muita evolução. Seu sistema nervoso é muito reduzido, não possuem qualquer tipo de órgão sensorial especializado, embora alguns tenham algumas células olfativas e tácteis. Em sua maioria, têm o corpo com simetria radial, ou seja, seu corpo é dividido em partes iguais que se juntam ao eixo central. Há ainda os pentarradiais, com 5 partes iguais (maioria das estralas-do-mar).
Os animais equinodermos se assemelham muito com os do Filo Chordata, pois têm um Celoma verdadeiro, e por serem deuterostômios (o orifício embrionário chamado blastóporo origina o ânus).
O seu sistema circulatório é hidrovascular, presente somente nesse filo. Porém também apresentam o sistema hemal e peri-hemal, que são parcialmente ligados ao celoma (cavidade interna do animal). O sistema digestivo é completo, com boca e ânus. Na bolacha-da-praia e ouriços ainda é possível encontrar uma estrutura mastigadora formada por cinco “dentes”, chamada de Lanterna de Aristóteles, movidos por músculos.
O Sistema Ambulacrário (locomoção)
A locomoção é o grande diferencial deste filo. Utilizam um sistema chamado Ambulacrário. Esse sistema consiste em a água do mar entrar no corpo do indivíduo, através da placa madrepóritca (uma placa circular com vários poros), e circular em canais (canal pétreo) dentro do corpo.
Cada canal emite numerosas ampolas, das quais partem os pés embulacrários. A água penetra pela placa madrepórica, percorre todo o sistema e é eliminada pelos terminais dos canais radiais. Ao passar pelas ampolas, pode ser compelida (por pressão com os músculos) a entrar nos pés ambulacrários, que se estufam para a frente. Como esses pés possuem ventosas nas extremidades, isso pode permitir ao animal fixar-se num substrato ou reter um alimento. A contração de outros músculos pode devolver a água às ampolas, determinando a retração dos pés ambulacrários.
As classes em que os Equinodermos se dividem são:
- Echinoidea
-
 Asteroidea
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 Ophiuroidea
-
 Holothuroidea
-
 Crinoidea
Echinoidea
Echinoidea (do grego echinos, ouriço + eidos, forma + ea, caracterizado por) é a classe deequinodermes que inclui os ouriços-do-mar, ouriços-cordiformes e as bolachas-de-praia.
Os equinóides têm corpo esférico ou achatado que não se estende formando braços, como asestrelas-do-mar. A superfície da carapaça está coberta por espinhos móveis articulados. A carapaça dos equinóides encontra-se organizada em meridianos por zonas ambulacrárias, onde se encontram os pés ambulacrários, alternadas com zonas interambulacrárias. As larvas dos equinóides são planctónicas e designam-se por equinoplúteo. Após a metamorfose, os equinóides passam a ter forma de vida bentónica.
Os equinóides regulares, de simetria pentarradiada, são normalmente espinhosos e deslocam-se com a ajuda dos pés ambulacrários. O corpo é bolboso e o ânus localiza-se no centro da face aboral (oposta à boca). Vivem geralmente em substratos firmes ou rochosos e alimentam-se dealgas, organismos incrustantes e detritos, que são removidos por um aparelho raspador composto por inúmeros ossículos, cinco dos quais funcionam como dentes (Lanterna-de-Aristóteles). Os equinóides respiram através de brânquias.
Os equinóides irregulares têm simetria bilateral, corpo achatado e são endobentónicos, isto é, vivem enterrados em substrato móvel, por exemplo areia. O corpo apresenta poucos ou nenhuns espinhos, como adaptação a este modo de vida. O ânus está também localizado na face aboral, mas deslocado para a margem posterior. Estes equinóides são essencialmente detritívoros e respiram através dos petalóides (pés ambulacrários modificados).

CLASSE ASTEROIDEA

Os Asteroidea ocorrem em quase todas as latitudes e profundidades, podendo atingir os 9.100 m.
Ocupam uma grande variedade de substratos, como rochas, algas, cascalho, sedimento arenoso ou recifes de coral. Ocorrem, também, em ambientes caracterizados por um alto estresse ambiental, como poças de maré, o limite superior da região entremarés e praias e costões sujeitos a um alto hidrodinamismo.
Enquadram-se nessa classe, os animais conhecidos como estrelas-do-mar. Geralmente possuem 5 braços, mas existem algumas espécies com um número maior, porém, sempre múltiplo de cinco.
No dorso, distingue-se uma parte central denominada disco, do qual partem cinco prolongamentos idênticos denominados braços.
Mais ou menos no centro do disco e ainda na superfície dorsal, aparece o orifício retal, e na sua proximidade distinguimos o madreporito que constitui a abertura externa do sistema ambulacrário.
A superfície do disco e braços é densamente revestida por pequenos espinhos, e irregularmente distribuídos. Apenas na linha mediana dos braços aparecem espinhos dispostos em fileiras longitudinais.
Entre os espinhos encontram-se as pápulas (com função de respiração e excreção) e as pedicelas que são formações constituídas por duas lâminas que se dispõem como pinças móveis, mantendo a superfície do corpo livre de detritos e auxiliando na captura de pequenos organismos.
Na extremidade de cada braço, encontra-se um tentáculo com função sensitiva.
Na face ventral, abre-se a boca colocada no centro do disco, de onde partem 5 sulcos denominados canais ambulacrários que tomam a mesma direção dos braços. Lateralmente a estes canais, ocorrem numerosos pés ambulacrários.
A fecundação na estrela-do-mar é externa. Os adultos são carnívoros, alimentando-se principalmente de crustáceos, vermes tubícolas e moluscos, causando nesse caso, grandes danos a ostreicultura.
Sua capacidade de regeneração é bastante grande, podendo um fragmento de braço produzir um novo indivíduo completo.
As estrelas-do-mar abundam em quase todas as costas marinhas, especialmente em praias rochosas e ao redor de pilares de portos. Várias espécies vivem desde as linhas de maré até profundidades consideráveis na areia e no lodo.
O corpo de uma estrela-do-mar consiste de um disco central e cinco raios ou braços afilados. Na superfície aboral ou superior há espinhos calcários, os quais são partes do esqueleto. Brânquias dérmicas (pápulas) pequenas e moles projetam-se da cavidade do corpo entre os espinhos para a respiração e excreção. Ao redor dos espinhos e pápulas há pedicelárias diminutas em forma de pinça, que mantém a superfície do corpo limpa e também auxiliam na captura de alimento. O orifício retal é uma abertura diminuta próxima ao centro da superfície aboral e nas proximidades do madreporito. A boca está no centro da superfície oral, ou inferior. Um sulco ambulacrário mediano, orlado de espinhos, estende-se ao longo da superfície oral de cada braço e dele protaem muitos pés ambulacrários. Na ponta de cada braço há um tentáculo táctil e uma mancha ocelar, sensível a luz.
As estrelas-do-mar alimentam-se de moluscos, crustáceos e vermes tubícolas. Algumas alimentam-se de matéria orgânica em suspensão. Animais pequenos e ativos, mesmo peixes, ocasionalmente podem ser capturados pelos pés ambulacrários e pedicelárias e levados à boca. Quanto à reprodução, óvulos e espermatozóides são postos na água do mar, onde ocorre a fecundação. A clivagem é rápida, total, igual e indeterminada. A larva originada possui simetria bilateral e passa por diferentes fases. Estrelas-do-mar sofrem acidentes na natureza e podem soltar um braço (autotomia) quando manuseadas rudemente, mas os braços regeneram-se prontamente.


Ophiuroidea

Ophiuroidea (do grego ophis, serpente + oura, cauda + eidos, forma + ea, caracterizado por) é uma classe de equinodermos conhecidos como ofiuróides. O corpo dos ofiuróides, é composto por um disco central, rodeado por cinco pernas flexíveis, que podem chegar aos 60 cm de comprimento. Há cerca de 1200 espécies descritas, distribuidas por todos os oceanos, dos polos ao equador. Estão presentes em todas as profundidades mas a maior biodiversidade do grupo encontra-se abaixo dos 500 metros. Os ofiúros surgiram no Ordovícico inferior. O grupo taxonómico já foi designado como Ophiodea.
O exosqueleto dos ofiúros é composto por ossículos de carbonato de cálcio, fundidos no disco central (calix) e articulados entre si nas patas. Esta característica faz com que as patas por vezes se desintegrem, o que lhes confere o nome alternativo de estrelas quebradiças.
Ao contrário das estrelas do mar (classe Asteroidea), todos os órgãos vitais dos ofiúros encontram-se confinados ao disco central. A boca é rodeada por cinco placas mandibulares. Osistema digestivo é básico e composto por um esófago curto e um estômago amplo, que ocupa a maior parte da cavidade do animal. Os ofiúros não têm intestinos nem ânus. O sistema nervoso é igualmente simples e composto por um nervo anelar que rodeia a cavidade do calix. A partir deste centro, há um nervo em cada braço que permite ao ofiúro sentir o ambiente em seu torno. Estes animais não têm olhos nem cérebro.
Os ofiúros têm a capacidade de regenerar braços perdidos e fazem-no muitas vezes depois de encontros com predadores, em especial neste caso, ele promove a autotomia (auto-amputação), para fins de livrar-se do predador. A locomoção destes animais é feita através de movimentos com os braços flexíveis.

CLASSE HOLOTHUROIDEA

    Pepino do Mar
Os Holothuroidea são encontrados tanto em praias rasas como em profundidades de até 10.200 m. Apenas algumas espécies da ordem Apodida são habitantes permanentes da meiofauna. A maioria é bentônica, encontrada em fundos não consolidados de areia e argila, mas algumas espécies vivem em substratos constituídos por rochas, seixos, cascalho, ou sobre animais ou vegetais. Algumas espécies de Aspidochirotida são pelágicas.
São conhecidos popularmente como "pepinos-do-mar". Ao contrário dos outros equinodermatas, eles apresentam o corpo cilíndrico e alongado, com tegumento mole abaixo do qual se acham espalhadas placas calcárias microscópicas que funcionam como endoesqueleto.
A boca é situada numa das extremidades do corpo e é rodeada por tentáculos ramificados que são modificações dos pés ambulacrários.
O orifício retal situa-se na extremidade oposta.
Na parte posterior do intestino encontramos formações características que são os hidropulmões ou árvore respiratória que se estende para frente da cloaca. Admite-se que exerçam funções respiratórias e excretoras.
Certas espécies de holotúrias, algumas das quais existem no Brasil, quando molestadas, eliminam pela cloaca uma porção de filamentos brancos e viscosos (órgão de Cuvirer) que são segregados por glândulas próximas ao orifício retal.
Esse comportamento representa um meio de defesa.
Nos "pepinos-do-mar" o lado dorsal é representado por duas zonas longitudinais, enquanto que o lado ventral apresenta três zonas longitudinais(pés ambulacrários).
Os adultos alimentam-se de detritos orgânicos ou plâncton que o animal captura em mucos existentes nos tentáculos.
HOLOTÚRIAS
Em oposição aos outros equinodermos, as holotúrias têm o corpo delgado, alongado em um eixo oral-aboral. A boca é circundada por 10 a 30 tentáculos que são modificações de pés ambulacrários bucais encontrados em outros equinodermos. Algumas holotúrias apresentam 2 zonas longitudinais de pés ambulacrários na região dorsal, de função táctil e respiratória. O lado ventral tem tipicamente três zonas de pés ambulacrários, com ventosas, que servem para a locomoção.
As holotúrias movem-se como lesmas no fundo do mar ou cavam no lodo ou areia da superfície deixando somente as extremidades do corpo expostas, quando perturbadas, contraem-se lentamente. O alimento é de material orgânico dos detritos do fundo, que é empurrado para a boca ou de plâncton aprisionado em muco nos tentáculos. As holotúrias frequentemente são os invertebrados dominantes nas partes mais profundas dos oceanos e muitos taxa são restritos a águas profundas.

Crinoidea

Crinoidea (do grego krinon, lírio + eidos, forma + ea, caracterizado por) é uma classe deequinodermos que inclui os organismos conhecidos como crinóides, lírios-do-mar ecomatulídeos. São animais exclusivamente marinhos que ocupam todas as profundezas até aos 6000 metros. Actualmente, a classe conta com apenas algumas centenas de espécies mas o registo geológico mostra uma biodiversidade muito maior dentro do grupo.
O modo de vida dos crinóides é variável. Algumas espécies vivem fixas a um substrato por um pedúnculo durante todo o ciclo de vida; outras podem apresentar fase adulta ou larvar de vida livre. O substrato dos crinóides pode ser um material rochoso, um fundo arenoso ou objectos comomadeira que circulam à deriva. A maioria dos crinóides actuais não é séssil e faz parte dozooplancton dos oceanos.
Os crinóides são organismos que se alimentam por filtração.

Algumas espécies fósseis

§  Pentacrinites: Vivia em colónias, fixas em madeiras à deriva; o pedúnculo atingia os metros de comprimento.
§  Marsupitsa, Saccocoma e Uintacrinus: Formas de vida livre